terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um Toque Aguçado




Julgo perder o siso desta consciência
Desconfio deste nexo a destilar pelo paradoxal
Perpétuo alento asfixiado por alguma demência
Ao encontro lampejante do silêncio menos real… 


21/10/20012

Filipe Pires

domingo, 19 de agosto de 2012

Na Berma














Esta imaginação muda
Vejo alvejar a solidão
Sem mérito se estuda
As asas por entre a razão.

E se fosse possível fazer algo
De algo nasceria um sentido
Em que mudo seria tudo
Sem que tudo me levasse a sensação.
Talvez, quem sabe, seria um culto…
Seguir voando com estas asas
Num rumo infinito ao olhar,
Entre ermas trevas a desfolhar
A alma que se esconde num sonhar.

11/08/2012

Filipe Pires

quarta-feira, 14 de março de 2012

Desarranjado Aspecto

Desordem mental num sobressalto
Cada passo dado ao som da percepção
Do que realmente julga por alto
A figuração da inevitável concepção

Explosivo desdém perspicaz
Em estilhaços fragmentados ao vazio
Haja ventureiros de mente capaz
Para evaporar este diminuto pavio.

29/02/2012

Filipe Pires


Dichote por Sorte
















Vingança amiga do orgulho
Loucura e o lapso do arrependimento
Poucas voltas se dão no mergulho
E a tristeza à cantiga do tormento

A lucidez que matou
Outrora, quando já estava morto
Falsa palavra reinou
A quem dava tanto conforto
Desdém na muralha esquecida
Das lágrimas a esse porto
Esperança ciumenta erguida
Por um trilho que nasce torto.

Mas vida tem três passos
Dos quais vivemos dois
O primeiro ainda somos escassos,
Ao fim…não sei, quem sois?

14/01/2011

Filipe Pires

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Amanhecer


Vejo um cinzento vulto
Distintos traços cristalinos...
A combustão raivosa do motor
Ao eclodir num eterno lampejo
E...parecia o sub-consciente a comandar.

Agora até vejo o amanhecer...de algum lugar.

18/11/2011

Filipe Pires

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Ilusão do Trilho


Prenunciei-me determinado
Nem a muralha foi vista
Nem a miséria ao meu lado.
Não dei o passo mais certo
Sisudo em meras pistas
Não vi o buraco mais perto.
Aldrabado na migalha de pão
Contemplava aquele passado
Não vi o presente, olhava o chão,
Clamava ao futuro contado
Pelo desdém da vida em combustão.
Senti o delírio no seu argumento
Domínio nas algemas da razão
Indiferença no poder do tormento,
E nisto, posso ter algum contento?
Ou deixo tudo no que tento.

18/08/10

Filipe Pires

Longo Caminho


Casta alma
Esta que perde a calma
Por alcançar a dor
Mera perda, ermo trauma,
Sisudo riso sem asas nem esplendor
Cartas falsas? De mangas esquivas
Deusa do céu sem amor
Passos de mentes vivas
Tragos de paixão e ardor
Primor cego ao prazer das divas.

Memória de algo
Cordas sem qualquer ligação
Rastilho previsto ao vago
E no que trago só me vejo a mim.
Pútridas flores de esquecer
Sozinhas na foz da cartada
O repouso que me veio morrer
Não era o prazer da calada
E nisto não vejo nada!
Que este nada vejo falecer
Afogado na casta alma
Alagado de rancor de ser
A mente imortal da calma
A mente que morre desse trauma.
17/09/10
Filipe Pires