Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Amanhecer


Vejo um cinzento vulto
Distintos traços cristalinos...
A combustão raivosa do motor
Ao eclodir num eterno lampejo
E...parecia o sub-consciente a comandar.

Agora até vejo o amanhecer...de algum lugar.

18/11/2011

Filipe Pires

Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

A Ilusão do Trilho


Prenunciei-me determinado
Nem a muralha foi vista
Nem a miséria ao meu lado.
Não dei o passo mais certo
Sisudo em meras pistas
Não vi o buraco mais perto.
Aldrabado na migalha de pão
Contemplava aquele passado
Não vi o presente, olhava o chão,
Clamava ao futuro contado
Pelo desdém da vida em combustão.
Senti o delírio no seu argumento
Domínio nas algemas da razão
Indiferença no poder do tormento,
E nisto, posso ter algum contento?
Ou deixo tudo no que tento.

18/08/10

Filipe Pires

Longo Caminho


Casta alma
Esta que perde a calma
Por alcançar a dor
Mera perda, ermo trauma,
Sisudo riso sem asas nem esplendor
Cartas falsas? De mangas esquivas
Deusa do céu sem amor
Passos de mentes vivas
Tragos de paixão e ardor
Primor cego ao prazer das divas.

Memória de algo
Cordas sem qualquer ligação
Rastilho previsto ao vago
E no que trago só me vejo a mim.
Pútridas flores de esquecer
Sozinhas na foz da cartada
O repouso que me veio morrer
Não era o prazer da calada
E nisto não vejo nada!
Que este nada vejo falecer
Afogado na casta alma
Alagado de rancor de ser
A mente imortal da calma
A mente que morre desse trauma.
17/09/10
Filipe Pires

Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

Rumo ao Pranto


Vi lágrimas a murmurar
Do ermo silêncio da partida
Vi, não minto, o coração a derramar
Pelo sentimento da despedida

Senti o nascer do vento
Tilintar o rosto molhado
Secava a face do tormento
Do cair choroso do fado.

Contemplei, a cada passo, as lembranças
Clamei, em mim, significados vividos
Desejei, do meu vazio, as esperanças
Dos momentos que serão revividos.

Só, na deriva do meu ser,
Faleci do choro interior
Sonhei voltar a ver
Sonhei não o perder em dor...
Olhei o cinzento céu em mágoa
Incrivel! Até de tristeza vive este véu
Que sem sofrimento verte sua água
E faz do meu sentimento seu réu.

Haveria mais lágrima por criar?
Quanto mais me vejo escrever
Mais me sinto por chorar.

09/06/10

Filipe Pires

Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Um em Mil


Tenho mil e um vícios
Mas nenhum dos mil são ofícios.

Filipe Pires

Assim o Serei


Haverá algo a dizer?
Algo a sentir que não seja?
A aldrabar sem se ver
Sem contemplar vazio que não se veja

Haverá culpa sem razão?
Nesta vida que morre lentamente
Como um fósforo em sua combustão

Seria sexto sentido superior?
Levando aos caminhos da perfeição
Como seres sem campas nem amor!
Nas trevas da vingança pela paixão.

Haveria lembrança a lembrar,
O que nada somos ou seremos?
Eu morria por dia a tentar,
Antes do rumo nos levar,
A vida caminhante em que todos morreremos!
Eu morreria mil vezes a amar,
Em vez de infinito ser de primor e perfeição,
De cada passo dado poder dizer e clamar
Que sou eu honra do Olimpo e orgulho-me de razão!
Sou e serei, na minha maré, mente que dirá um mero não
Enquanto for eu terei sempre o pensamento e uma conclusão.

14/05/10

Filipe Pires

Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Silêncio Directo


Será que tenho feito?

Feito sem pensar

Ou, outrora, sem jeito

Num jeito julgar

Este feito sem jeito

Que me tormenta a contemplar

Será que se diz que fiz?

Fiz por ver no espelho do ser

Que ao ver fui o que se diz.

Não que por reflexos seja ser

Mas na questão de ver

Ainda sou o ente que me fiz

Ou, outrora, será que se diz que fiz?

Infelizmente ninguém mo diz!


--/--/10


Filipe Pires