domingo, 19 de agosto de 2012

Na Berma














Esta imaginação muda
Vejo alvejar a solidão
Sem mérito se estuda
As asas por entre a razão.

E se fosse possível fazer algo
De algo nasceria um sentido
Em que mudo seria tudo
Sem que tudo me levasse a sensação.
Talvez, quem sabe, seria um culto…
Seguir voando com estas asas
Num rumo infinito ao olhar,
Entre ermas trevas a desfolhar
A alma que se esconde num sonhar.

11/08/2012

Filipe Pires

quarta-feira, 14 de março de 2012

Desarranjado Aspecto

Desordem mental num sobressalto
Cada passo dado ao som da percepção
Do que realmente julga por alto
A figuração da inevitável concepção

Explosivo desdém perspicaz
Em estilhaços fragmentados ao vazio
Haja ventureiros de mente capaz
Para evaporar este diminuto pavio.

29/02/2012

Filipe Pires


Dichote por Sorte
















Vingança amiga do orgulho
Loucura e o lapso do arrependimento
Poucas voltas se dão no mergulho
E a tristeza à cantiga do tormento

A lucidez que matou
Outrora, quando já estava morto
Falsa palavra reinou
A quem dava tanto conforto
Desdém na muralha esquecida
Das lágrimas a esse porto
Esperança ciumenta erguida
Por um trilho que nasce torto.

Mas vida tem três passos
Dos quais vivemos dois
O primeiro ainda somos escassos,
Ao fim…não sei, quem sois?

14/01/2011

Filipe Pires

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Amanhecer


Vejo um cinzento vulto
Distintos traços cristalinos...
A combustão raivosa do motor
Ao eclodir num eterno lampejo
E...parecia o sub-consciente a comandar.

Agora até vejo o amanhecer...de algum lugar.

18/11/2011

Filipe Pires

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Ilusão do Trilho


Prenunciei-me determinado
Nem a muralha foi vista
Nem a miséria ao meu lado.
Não dei o passo mais certo
Sisudo em meras pistas
Não vi o buraco mais perto.
Aldrabado na migalha de pão
Contemplava aquele passado
Não vi o presente, olhava o chão,
Clamava ao futuro contado
Pelo desdém da vida em combustão.
Senti o delírio no seu argumento
Domínio nas algemas da razão
Indiferença no poder do tormento,
E nisto, posso ter algum contento?
Ou deixo tudo no que tento.

18/08/10

Filipe Pires

Longo Caminho


Casta alma
Esta que perde a calma
Por alcançar a dor
Mera perda, ermo trauma,
Sisudo riso sem asas nem esplendor
Cartas falsas? De mangas esquivas
Deusa do céu sem amor
Passos de mentes vivas
Tragos de paixão e ardor
Primor cego ao prazer das divas.

Memória de algo
Cordas sem qualquer ligação
Rastilho previsto ao vago
E no que trago só me vejo a mim.
Pútridas flores de esquecer
Sozinhas na foz da cartada
O repouso que me veio morrer
Não era o prazer da calada
E nisto não vejo nada!
Que este nada vejo falecer
Afogado na casta alma
Alagado de rancor de ser
A mente imortal da calma
A mente que morre desse trauma.
17/09/10
Filipe Pires

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Rumo ao Pranto


Vi lágrimas a murmurar
Do ermo silêncio da partida
Vi, não minto, o coração a derramar
Pelo sentimento da despedida

Senti o nascer do vento
Tilintar o rosto molhado
Secava a face do tormento
Do cair choroso do fado.

Contemplei, a cada passo, as lembranças
Clamei, em mim, significados vividos
Desejei, do meu vazio, as esperanças
Dos momentos que serão revividos.

Só, na deriva do meu ser,
Faleci do choro interior
Sonhei voltar a ver
Sonhei não o perder em dor...
Olhei o cinzento céu em mágoa
Incrivel! Até de tristeza vive este véu
Que sem sofrimento verte sua água
E faz do meu sentimento seu réu.

Haveria mais lágrima por criar?
Quanto mais me vejo escrever
Mais me sinto por chorar.

09/06/10

Filipe Pires