domingo, 31 de março de 2013

Um Lanho Sangrento



Ocasiões…
Breve desleixo sem eixo
Por fragmentos explosivos,
Culminados no sabor da razão
Entre intuitos de tentação
E à mercê dos primitivos.

Sombras de amargura tilintam
Por dissabores corrompidos,
Abram alas ao esbelto negrume
Que se aguça como o som dos sinos…
Mas, certas matérias são divinas
Reagem minuciosamente pelo gume,
Em ritos banhados num sopro de sinas
Vejo derramar os murmúrios embutidos.

31/03/2013

Filipe Pires

terça-feira, 26 de março de 2013

Fios de Momento



Já não há ardor
Que sirva para cobrir
Um manto negro de clamor
Na erma dúvida por despedir

Fosco percalço
Que consente as lamúrias,
Numa ilusão sem encalço,
A um turbilhão de penúrias.
Aquele fim sem amparo
No sentimento mais injusto
Acolher a aversão ao raro
Num adro morto sem custo.

Na erma dúvida a despir
Num manto escuro de clamor
Que sirva para se cobrir
Dos únicos momentos de ardor.

Filipe Pires

06/02/11

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Linha do Horizonte




Ampliação das dimensões
Perante o contraste do surreal
Desdém entre sonhos e previsões
Abraçados num rumo colossal

Ah, e tudo depende de tudo
E, certamente, nada é concreto
Como uma sombra num silêncio mudo
A derreter o tempo menos certo.

04/11/2012

Filipe Pires

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Passos de Gente




Vejo tremer os passos da sociedade
Brilhando no orgulho materialista
Meras mentes cheias de personalidade
Atadas ao poderio de sua vista

Caminham através do raciocínio,
Para lá da vontade de querer,
Desmembram-se no equilíbrio
E acham-se no sonho de ter.

Mas contos são imaginados
Numa partida de informação
Contos são para ser contados
Por quem controla sua conclusão.
Ah, sociedade…
Porquê tanta imaginação?

04/10/2012

Filipe Pires

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um Toque Aguçado




Julgo perder o siso desta consciência
Desconfio deste nexo a destilar pelo paradoxal
Perpétuo alento asfixiado por alguma demência
Ao encontro lampejante do silêncio menos real… 


21/10/20012

Filipe Pires

domingo, 19 de agosto de 2012

Na Berma














Esta imaginação muda
Vejo alvejar a solidão
Sem mérito se estuda
As asas por entre a razão.

E se fosse possível fazer algo
De algo nasceria um sentido
Em que mudo seria tudo
Sem que tudo me levasse a sensação.
Talvez, quem sabe, seria um culto…
Seguir voando com estas asas
Num rumo infinito ao olhar,
Entre ermas trevas a desfolhar
A alma que se esconde num sonhar.

11/08/2012

Filipe Pires

quarta-feira, 14 de março de 2012

Desarranjado Aspecto

Desordem mental num sobressalto
Cada passo dado ao som da percepção
Do que realmente julga por alto
A figuração da inevitável concepção

Explosivo desdém perspicaz
Em estilhaços fragmentados ao vazio
Haja ventureiros de mente capaz
Para evaporar este diminuto pavio.

29/02/2012

Filipe Pires